Coisas de Anjos

já sabes que nada nos separa

que a máquina de roubar gotas ao setembro

tem umas agulhas de prata

para bordar as vestes da eternidade

com fios de estar a ver o luar

a desfraldar a noite

no ermo que seremos

e que as mãos apressam-nos para o ter sido

essas aranhas de esperar as moscas incautas

de querer ser gente

e do ventre da rebentação das ondas do mar de depois

o vitral de frios a crepitar na pele

salgados e de repente

apanha-nos incautos

a molhar os pés que não temos

na ilusão de que o mundo tem umas escadas

daqui para o céu

resta-nos vestir o manto de sermos dois

e viver o drama de nos faltarmos em nós

e da vida a dois ser impossível

já que as máscaras enferrujam com o passar do tempo

e é horroroso trazê-las debaixo da pele

como os punhais dos covardes

feitos de ferro e frustração

Comentários

Mensagens populares