Ocaso

a fragilidade do oco do ocaso
tímpano secreto
a secretar o reverso da noite
que não virá
a matriz dispersa das trompas do fim
liquefeitas nos olhos convexos da espera
a lâmina de luz que corta a inquietude
e deixa um lago de sangue prateado
onde um corpo outrora abriu os braços
e se despenhou no abismo de antes da vaza
que o tempo é só isso
dele nada se recolhe
apenas um gesto e o que acaba
fica gasto
como uma corneta a quem sopraram todos os sons
e é assim em jeito de enternecedora simplificação
que o dia se despega da contiguidade do sal e da lucidez

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