na rasgura do vento
os possantes cavalos do agora
elevam-me sobre as colinas verdejantes da brisa
para lá do haver horizonte
e o que com ele se sinta circunscrito
descendo ao mais fundo
planando no mais alto
vertiginoso e abissal ritmo
de ser o que desponta
de dentro da luz que há dentro
a pele uma vela enfunada no regresso das naus de ter sido
os braços mais do que asas
raízes oclusas nos cabelos do ar da tarde
presença que se aprofunda nos recessos da memória
e se veste de esquecimento e águas negras de dentro
e o ar rarefeito acelera-me a respiração
e parece que já não respiro
mas que de dentro vem um sopro que se exalta
de dentro
de dentro de nada e vibração
de dentro do dentro
a ilusão insone de ser eu
dentro de mim
não há espectáculo mas um palco espera
na penumbra e na humidade de abandono e fechamento
e deixo-me ir
no ímpeto que tudo ultrapassa
e a tudo envolve

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