terça-feira, 2 de setembro de 2008

mundividência

o mundo que me entorna
reveste-me de sensações emanadas
duma distracção alucinada
que volteia e se precipita
à volta duma fenda que inventei sem querer
e ficou a boiar na possibilidade extática
dos caminhos
sou
não sendo
posto que aquilo que se é
não corresponde ao que não se deixa prender
na geografia convexa
de ser humano
o pulsar das estrelas
mesmo das que já explodiram
e enchem de negrume as noites quando olhamos para o céu
percute-se no nosso coração
essa melodia mórbida
composta por um músico cego
que pendura tudo
numa clave de sol
suspensa da lua

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