domingo, 14 de setembro de 2008

o que há aí
nesse para lá do esquecimento?
que mora no reverso do vento
na quebra das palavras que não se dizem
estateladas no chão tão de repente?
o que não vem quando as horas são secas e quebradiças?
o que estala por baixo dos pés de estar aqui?
talvez a vida se torne por vezes demasiado leve
por ser demasiado exposta ao sol
seca e fica frágil e torna-se pretérita se lhe tocamos com os dedos ávidos
não pode ser demasiado exposta ao sol
a vida
tem que ser trazida para o ar da manhã
e depois recolhida quando as cigarras se tornam ensurdecedoras
temos que aprender a não vivermos a vida toda
há que viver e não viver ao mesmo tempo
para que os frutos não caiam das árvores cedo de mais

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