perco-me e percorro-me
nas virações das marés e nos assomos do vento
por entre as árvores
quando a tarde se desgarra
e parte
e em toda a parte me sinto
alado vário vadio
sem rotas ou fronteiras
louco
a minha alma é esquiva
vive entre as ervas
e quando a noite vem
derrama-se sobre o mundo
e torna-se sonora
na inumação dos grilos assume-se como o silêncio
rasgado por dentro
pudera ser só o que nada tem
se o nada em que me absorvo
não tivesse esse perfume de mulher que de si foge
de fada que se esqueceu de também se fazer ao mar
quando as tempestades são matinais
e os sonhos madrugantes são sorrisos a arder
no interior das pedras
febres adormecidas à espera da geada
que as cale e as consinta sem ardor
seria feliz sim
e até mais
não precisaria sequer da felicidade

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