sexta-feira, 17 de outubro de 2008

ainda te tenho
sinuosa presença
no coração tão profundidade
tão de tudo repleto
ainda te tenho
e já não me sei há muito
nem das frases soltas e largadas no vento
me desfiz
o teu nome
as vestes do tempo quando passava mulher feito
as rosas que vi quando buscava o mar de nunca te ter visto
tudo
tudo isso tão presente e tão para dentro
tão pesado e aflitivo
é umbrosa a manhã em que te vejo
quase tocada pelo desejo que me rasga
não sei
ásperas horas que crescem por mim dentro
silvas de abandono e ritmo verde que se enrosca às sensações habituais
e ainda te tenho
princípio e fim do que resta de mim nos restos do mundo
o impossível e a dança dos cardos
as tardes sem mais
e o que não veio
tudo isso me preenche
e me desfaz
compasso que traça o círculo da minha perdição
harmonia secreta
o ter-te visto

1 comentário:

jorgeferrorosa disse...

Que presença tão bela entre cores onde me tomo. Gostei.
Abraço
Jorge