sábado, 29 de novembro de 2008

Parabéns!

Hoje fazes trinta anos...
E eu recordo o momento em que, viandantes de rotas desconexas mas afins, nos cruzámos. Estávamos longe. Aproximáva-nos a fotografia, que teremos descoberto quase na mesma altura.
O que é estranho é que desde cedo fiquei com a impressão de que não guardaríamos segredos, de que não consentiríamos treva e desolação nas nossas conversas e nos nossos encontros. Que foram poucos, se atendermos à proximidade física. Mas há sempre uma continuação que os torna uma conversa contínua.
Já deixámos passar anos sem trocarmos qualquer palavra. Mas nesse espaço não houve um deserto, nem um abandono, apenas duas vidas que seguiam o seu curso natural, cada uma na direcção do seu mar, do imenso mar onde novamente se cruzaram. Só isso.
E isso aconteceu num momento em que eu julgava ter perdido o leme da minha vida. O leme... Como se o barco onde navegamos precisasse dele... E ajudaste-me a descobrir que as estrelas são as mesmas, tudo tem o sentido que lhe consentirmos. E gosto da tua forma de amar. Até à perdição se preciso for, mas dando-te, plena e total, à pessoa eleita e há aí uma lição esmagadora. E confesso-te que o teu exemplo abalou os alicerces do quase vacuísmo com que julgava encarar o amor, nada vale a desolação, a morte simbólica do outro, a saudade se isso significar a recusa do agora e do infinito que há em cada instante.
E guardo as tuas lágrimas no coração. E o teu sorriso, que parecia um sol depois da tempestade, muito a propósito, junto daquele fotogénico farol de S. Pedro de Moel. Eu contara-te do meu Verão, de como a vida nos pode escarificar até ao mais vibrátil dos desamparos, e soube que havia uma força em ti que te levaria longe, ao teu longe, que penso que já sentes a despontar mesmo nas coisas pequenas da tua vida.
E foi importante o encontro de amigos desse dia, o Joaquim, o Hugo, a Gilda, os pais do Hugo e a sua irmã e como tu desaguaste sem estranheza ou inibição no amplexo de luz daquele almoço frente à praia. A amizade é uma benção. Leva-nos longe e faz-nos mais próximos do que verdadeiramente importa na vida: a nossa realeza de sermos gente, gente encontrável e capaz de conversa e partilha.
Por isso deixa que eu receba este dia com o desejo de que nunca te faltem as praias e os jardins e que te desencontres em alguém que te leve a beber as tardes e a dissolver o sol na taça gráalica da noite, da noite imperitura e sempre vespertina. Beijo!
(e deixo-te aqui uma canção que acho que te toca lá bem no fundo...)

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