sábado, 1 de novembro de 2008


Se não quiseres que o chão se verta
enxame de preces que os pés sentem em uníssono
e se rompa a fina película de estares no mundo
com tudo o que no mundo permanece e semeia
tens que viver o amor até a carne se tornar uma chuva de pétalas
de todas as cores com os odores e os ritmos que há na seiva da árvores
a escorrer para um poço onde a escuridão não parece terminal
tens que ser a frescura que dá às coisas um rosto perfeito
uma lâmina e um sonho a arder o teu olhar
as tuas mãos o desaguar dos instintos seculares
uma rasgura de luz a tua voz
a entornar no silêncio uma harpa de água pura
e tens que largar-te ao vento
na soltura e na elevação
na dança secreta que é tudo à flor do tempo
tua taça repleta
o teu coração peregrino e alado

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