suspenso
o abismo o chão e tudo
ser é planar uma queda sustida
face ao buraco do não ser
ferida antiquíssima
aberta quando por te ter quis mais
abri a porta do paraíso e quis o mundo
tudo se perdeu
o esquecimento flui e reflui
rio que me desagua a cada instante
no sem fim dos dias e das constelações
que traçam no céu mapas de luz na mais fina treva
a inquietude rasteira das brisas outonais
a pele rasgada dos prantos convexos
a ânsia de ir além de mim
porque me falaste da desolação das portas
que se abrem para o nada?
antes do tempo
tudo é pleno
até o pó e os limos nos muros da espera
recebes um beijo?

Comentários

Mensagens populares