ter como rumo secreto a madrugada
navegar a noite como quem regressa
mas sem ter para o que regressar
ser um com o vento
trazer dentro do peito o mar
a transbordar de pranto e maresia
ser mais que o momento
instante alado e percuciente
ser a alegria dos suicidas na véspera de não ter sido
não ter nada
não querer mais que o mais que há
no lado de dentro do grito das gaivotas
ser o que finda
e findando começa o que sempre foi
o que nunca se descobre no depois
ser mais que um sem ser dois
ter o universo suspenso dum sorriso
e partir
partir sempre

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