voa na superfície inconclusa das águas
que escorrem segredos de funduras sem nome
a alma do amante que se quer beijo e semente
somente palpitação e grito de língua cravada no peito da imensidade
tudo se confunde se o amor é rubro
quente apenas se está frio
apenas o que há e nada mais
nada querer e tudo ser
as alegrias das pedras que se precipitam no interior colapsado dos dias
tudo revela a sede parturiente que se atira para o interior do fogo
no centro que não tem margens
aí onde o tempo fulgura vindo de cima
aí onde as garras dos espaços da espera se cravam no chão das partidas
aí habita o que se deu à perdição de tudo ver como benção
no fio do silêncio que corta o rosto dos assustados
que fogem da vida com medo da morte
só tem a ilusão da ilusão quem se derrota e alucina
só quem vive não morre cada dia todo inteiro
todo em tudo nada sendo
pura intempestiva saliva que sorve a madrugada
as palavras são um susto que arrasta as coisas para o abismo
que sustenta o mundo
e se levanta de manhã quando o amante acorda e se sente pleno

Comentários

Sereia* disse…
Bolas, Paulo!

Que belas imagens!
Que momentos tão belos, tão bem congelados!

Das palavras já nem falo...

*

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