aqui
o princípio
largueza comburente
palavras com pegadas de rever a vida
servem-me de escada
elevo-me na sede e na perdição
à incandescência fria das flores
todas luz e evanescência
aqui o espaço é uma chuva de além
aqui neste chão que se estende velozmente
contra o horizonte de não me querer sustido
que fiz eu nas margens da espera?
são as pombas que me dizem da feição dos dias
nem o vento nem o colapso da tarde
nem o perfume das rosas vespertinas
nem as mãos fechadas em botão
flores falhadas de encontros na exaltação das horas
aqui
deixado para trás pelo galope feérico das coisas jogadas a si próprias
aqui não há regressos nem despedidas
todos os mitos se calam e sangram o não ter sido
exangue o sol levanta-se entre as nuvens e exalta-se
há luz e treva misturadas no olhar que anoitece
em plena manhã toda cristal e ferida ardente
aqui a morte porque não?
que vazios me faltam ainda?
o sem princípio
a ardência de mais a rasgar a pele de ser eu
tantas derrotas e promessas naufragadas
eleva-se ao longe a serra dos meus sonhos mais anoitecidos
o encontro com a lua e a brancura da treva que há
dentro da concretude das coisas
o amor e o amor o mar e a verdade profundeza
navegante sem estrelas
parturiente de não ser eu
o que é preciso para ser vento e esquecimento total?
aqui
no exílio de nunca ter tido pátria ou rei
onde as flores são sempre impossíveis e permanentes

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