somos do fim




devem marcar-se com lírios as margens brancas
que dão espaço à vida dos que vivem
margens de fria contemplação
de perfumada saciedade
porque não tem fundo o imenso do tempo
essa palpitação que a tudo envolve com o hálito quente do consumado
mesmo nas vésperas a vida tem marcas de fim e incompletude
se um dia voámos e nos servimos da taça da inquietude
aí fomos além e ficámos eternos
por isso será breve o que vier
um sopro uma lágrima já plena e sem espessura
será breve e raro
e os lírios serão sempre mais perenes
daí a sua necessidade
a sua urgência

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