mar total



densa putrefacção dos horizontes
os penedos recolhidos garras do tempo por vir
no mar o tempo sempre se afunda e faz vir à tona corpos falhados
do que fui sem regresso ou remissão
as forças gárgulas do já vivido
estremecem da superfície das águas em estertor
tudo vai se tudo fica
submerso na dor descompassada e afinal
reversiva e em labaredas decantada
o pouco que não me tive nas tardes e nos desvios nos caminhos desafinados
tudo se me prende no fio laminado da memória
em carne exposta de viva voz interrompida
poderei dizer o quanto as oliveiras se rendem ao fragor do azeite nos dias repletos?
a festa do manifesto pousio da treva nas gargantas ausentes
quantas feridas se abrem de pranto na calmaria
e na tormenta arrojada de chofre de cima para baixo
valsa de não ser forjado a ferro e azedume
o sol inteiro contido nas mãos que se enfunam e no vazio colapsam
não admira que das ilhas o odor rubro se solte em instantes desconexos
faltam os remos e as adagas de cristal para sangrar o longe
no peito que se adentra no presente
as aves são remotas e parcas lembranças
mostram do sul a ânsia de não ficar
todo o céu é um mar suspenso da fundura das estrelas alucinantes
volto e recomeço
a cor reinará em dias circundados de luz amarela
os dias da quietação das rosas e da submissão dos ventos

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