na luz




na luz envolto na luz deito-me de peito aberto sobre o sabre
o espaço em exaltação
e tudo se abre no desabrochar do coração a ser tudo
mais leve que o ar pleno como as rochas que se cobrem de duração e ecos de depois
e deixo-me ir
escorro-me até parecer que as coisas se dilatam e distanciam
uma convulsão a arder de longe e planura
alvo e incompatível com as miragens da fome de ser
o infinito transparece na ardência da consciência alucinada
cavada para dentro em direcção ao fundo que se enfuna e semeia rumos ao acordar
uma chuva de ter a língua presa às estrelas que se afundam no firmamento que torna o areal
da praia mais sonhada que vivida uma espuma de universos impossíveis plenos e inconstantes
onde mundos se arrumam como se esboroam à medida que as ondas trazem a maré mais para a rasgura da terra
essa sede escancarada sobre o que não há
até tudo desaparecer e de novo se esconder na devastação do dito

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