o que fazer com os vestígios da passagem?
o perfume que fica
as pegadas quase emplumadas na areia da brevidade
a porta entreaberta
o azul que não é daqui?
não se arruma o que não tem o nexo que damos ao que é habitual
e as marcas do longe não se apagam do pranto e da vertigem
mesmo que se sacudam os tapetes e o ar fique quase irrespirável
com o pó que desgasta a proximidade e a torna pretérita
e todos os oceanos têm monstros do nosso medo de além
por isso o depois não se guarda
solta-se e deixa-se a perder-se sem direcção
a dar um sentido primaveril à passagem

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