valsa silente






a presença violino de estanho enrolado nos passos para além
saudosa e fugaz solta em mim vendaval de lume e imaculada portada
para lá de ter nos dias uma pauta com margens e tempos definidos
imensidade conjugada com a sede que me torna inverno e noite de sim
nos tímpanos do azul aberto em arco sobre o que há navegável na dor
percute e exalta-se rasga-se ao alto e vem do fundo da luz
eterna e não acontecida a esperança a desgraça de querer acontecer
na rasgura do depois na elevação dos esquecidos
envoltos de infinito não desejados e libertos
a desmesura a perdição a escorrência da consciência pela pele alada das coisas
febre de bronze e estrela sem firmamento
de peito aberto e alado no mar encerrado e cumprido
lamento que sibila o presságio dos pássaros que se esvaíram nas contracturas da espera
é só uma demora
um pouco de espessura na vibração enxuta

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