quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

oco acaso, ocaso, casa no aberto





a minha casa no aberto
margens e água viva que é uma respiração diurna
plena de seixos e conchas que parecem asas a pairar na pele das mãos
e a brisa
quando vem do mar e traz à proximidade sonhos em fractal
os sonhos da lonjura secretados na maresia
o meu desamparo
a praia da minha infância que me ficou na memória
como um continente onde aportei vindo da minha promissão
onde encontrei o sol as nuvens a liberdade de estar na terra aonde se chega
onde a luz é sempre um achamento
uma praia estranha com uma relação reservada com o mar
ali se formos junto ao mar somos engolidos pela sua voz encrespada
e a areia voluptuosa e grávida de mar revolto torna os passos permanentes
difícieis de desertar da contemplação do impossível das partidas
e contudo o tempo levou-me dali
talvez por isso habitar me seja um verbo estranho
porque tive a minha casa no aberto
e hoje estou só à espera

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