sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

parição




quem vive no aberto
nunca deserta da distância
ama-a com todas as forças do seu ser
sabe-a melhor que as aleluias nas tardes da aldeia de sempre
e luta com os monstros
os dragões da alvorada
mas nunca deserta da distância
sabe que a vida é breve e é um vislumbre
e que todo o sol cabe no dentro dum sorriso
e quer das flores o que é eterno
a sua brevidade a fragilidade de terem nos seus veios o enervamento das estrelas
a combustão lenta da beleza em estado puro
quem vive no aberto não vive
não desespera
ama
e gostava que isso fosse recebido
mas o melhor é querer a doação das flores
que se perdoam
que se doam totalmente
e nunca começam

1 comentário:

Anita Silva disse...

Meu muito Amigo Paulo,
Tudo é tão límpido na tua poesia...
que fazer frente ao que é límpido senão contemplá-lo? :)

Mesmo assim, apenas diria, porque adoro o 'começar', que 'essas' flores sempre começam... sempre como primeira vez... o 'nunca' gosto de ouvir quanto ao que 'acaba', dependendo claro do que se fala... Bem, e isto é coisa muito pequena comparada à grandeza do teu coração, fonte inacabável dos teus poemas...

Um beijo grande!