sábado, 24 de janeiro de 2009

totalidade



só os puros amam
florescendo de botão a flor expansão
do amor em direcção ao que é mais
Narciso desfloriu um golpe traiçoeiro
no seu coração carente e frio
de flor a botão fechou-se na sua contemplação
achou-se belo e digno de veneração
mais alto que os deuses por ser ele próprio
quando era o lago o seu ser profundo
e de Eco entregue ao mundo
parede intransponível para quem as palavras são fechaduras
Ofélia é Narciso em reverso
o lago seminal terminal e feito de sedes liquefeitas
há uns olhos que são o lago
para lá deles a escuridão que agrega as estrelas
e as prende dentro da noite eterna
Narciso se mergulhas rompes as águas do Aventuro
porque és Eco de perdição
em ambos os lados do espelho em que te meditas
a primavera do mundo está no dentro
o jardim é um todo
muros e para além
a mesma inquietação

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