sábado, 7 de fevereiro de 2009

bruma



solto no vento do fundo
o esquecimento é uma renovação total
o amor incendido e grácil
incarnado nas coisas presentes
um eu é uma prisão inclemente
ser-se é uma recusa
ser
cada coisa em cada coisa
sem dar nem tirar
flor em flor
pedra em pedra
sol em sol
mar em mar
apenas isso
e tudo assim se ilumina
os olhos já estão abertos
os sons são sempre aurorais
o perfume da esteva e do alecrim
a aspereza dos caminhos da serra
o coração em coração
o rosto da perdição
o mosto de depois

1 comentário:

Sereia* disse...

"Ser-se é uma recusa
ser
cada coisa em cada coisa
sem dar nem tirar"

Era tão bom o Mundo todo fosse assim...
Mas consigo perceber que não cabe no meu entendimento este jeito que o Mundo tem de ser. Ser pequena e nada assim e aceitar tudo como é*