quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

diálogo



dizer arde de dentro o que não é
as palavras soltam-se saltam em enxames de dúvida e inquietação
regressam de asas amputadas ainda ditas dilaceradas e usadas
nunca gastas mas sombrias
e recebo-as porque dentro anoitece
frias e exangues resguardo-as de mim no coração
e em pouco tempo brasas e chama o grito e a comunicação
as veias da escuta entrançadas na alucinação de ser
um jorro de luz de dentro exorbita
e tudo se ilumina com o sentido restaurado
da edénica condição das coisas soltas e não buscadas

1 comentário:

Sereia* disse...

Quase arrsicava que este diálogo se tinha passado em solo, para mim, Sagrado*

será?
;)

As ondas de espuma branca levam palavras de brandura, de pureza e de paz de uma rocha até à outra...
E, de novo, quando regressam Mar adentro... levam outras palavras.

Não, não devem ser palavras, agora que penso melhor.
Devem ser sons.
Palavras há muitas, há parecidas no dizer e no sentido.
Mas o SOM deste diálogo é/foi único.

Mesmo sem lá estar e sem o ouvir e o saber, sei que é/foi ÚNICO*

p.s: Bolas as fotos da Adraga são SEMPRE MARAVILHOSAS!!!