domingo, 15 de fevereiro de 2009

em cada dia

(para essa ninfa das águas santas da Adraga que vem aqui por vezes lembrar-me que neste mundo há corações puros)

cada dia o universo inteiro
em cada dia todo o tempo
todas as coisas
toda a imensidade
em cada milésimo de segundo
em cada gotícula de mar o sal e o odor das profundezas
a pele percutida pelo vento derradeiro
a cada instante
as vésperas e os fins as incertezas e as auroras
a cada passo contactamos com o centro
e o firmamento a cada momento abarca tudo
rompamos pois a concha do tédio
a alucinação narcísica de sermos especiais
a pequenez de querermos ser vistos
a incerteza de nos querermos amados
alados sejamos a cada momento o que há
no reverso da dor
a inteireza e a alegria
todo o universo cabe em cada dia
e em cada dia se nos dá
o pleno e a continuação

2 comentários:

Sereia* disse...

Desta vez,
sem palavras para comentar

Voltarei*

Sereia* disse...

Voltei, Paulo

para deixar as palavras que não soube dizer da outra vez.

É tão dificil romper essa concha, deixar de ser pequeno e ser Uno com o Universo todos os dias.
E, ao mesmo tempo, saber que sou Una com o Universo, que sou parte dele e, ainda pequena, sou eu que sou parte dele e não é o Universo que é parte de mim.

Romper a concha, Paulo! Fecho-me nela e espreito dela para o firmamneto que sempre me mostra a beleza e sempre me chama.
Porque é de um chamamento que se trata.

Sim, o Universo em cada dia!
Sim, é o meu maior desejo deixar entrar tudo isso a cada instante pela minha conchinha pequenina onde me encontro e me escondo

Nesse dia, meu Amigo, esse dia...
A cada dia!

*******

Meu Amigo, não consigo agradecer com palavras. Houve uma altura da minha vida, em que sei (e sinto que assim era) que tinhas as palavras certas para dizer nos momentos certos. Isso acontecia com a frequência com que era necessário acontecer na minha vida.

Mas agora, julgo mesmo que já não as tenho, as palavras certas.
Só tenho estas que te dedico*


P.S: NUNCA deixes de escrever! É um pedido*