derrota na luz



é na exalação das preces
respirar de tudo no Íntimo
que a luz incombustida de além
desce sobre as feridas de ser poeta
rotunda negação da plenitude
rasgura em toda a extensão de não ser
e na ardência da incompletude
desabrocham em mim asas
para me erguer nos céus sem mácula
auroral criatura do Longe
monge do secreto e do depois
canto desfeito em lâminas de prata e agonia
a sagração da terra e da brevidade
saudade do que não passa
cravada na pele fátua das coisas
lento o mosto em que me mostro decomposto
desgosto de ser mais doce a vida que o esperado
eterno enamorado em perdição arrastado
pelas estradas sem um destino para além do traçado
consumado na impossibilidade dum fim
que pudesse transformar em chegadas as derrotas

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