sem remissão


o resto do que aprendi não serve
é um espaço entre caixas largadas
uma concavidade de ter dormido
depois de ter feito o possível
a espera esboroa-se se tocada
o canto é inútil na conjugação do tédio
não tem remédio o que existe
já não pode ser diferente do acontecido
soltar a imaginação é impossível
porque sem forma a memória tudo envolve
um circo de pulgas
com um espectador sem paciência
para esperar pelo fim do espectáculo
e depois o que vem
é uma repetição do que não houve

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