no anzol do azul


A força suprema de dentro expelida

Lava de não ser

A arder a crescer a amanhecer

Incontida florescência de vida

Inocência e perdição

De que vale ter na mão o mundo

E lá no fundo nada ser?

O coração permanece

Mesmo que a morte o navegue

Na gélida noite

No levante de cristal

No sal aquoso que que tudo liga

E a tudo dita um fim

O coração permanece para além de mim

O amor

Não tem um sujeito que o dome

Não tem nome quem ama

Só fome e parição de corpos a arder

Demência a chama e as cinzas

Cuja alvura se mistura com a espuma do mar

Nas cantigas de embalar

Que ecoam na antecâmara dos medos

Ledos assomos os pardais nas tardes são mais

Do que aves do céu

Comentários

Mensagens populares