absolvição



não tenho que te dizer
nada no fundo
as palavras suspendem-se
da rima secreta dos desencontros
fica a perdição rubra
calcinados os desejos
não tenho
o querer aceso no oratório de depois da penumbra
dos dias de saibro e vento rasteiro
a desatar as ervas
que escondem as feridas da terra
por onde em jorros de calmaria
a razão de tudo hemorrágica se perde
elevam-se no vazio
os olhos
que de cima tombaram
alucinados
restam as cores vítreas
das coisas habituais
pontilhadas ainda de um velho espanto
de ilusória translucidez
a trazer da infância
lembranças do frio e do gume
do lume e da voz distante
que profere a naturalidade dos desencontros

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