Distância



Na distância mora o fim dos meus rumos
O que dá às romãs o esquecimento
Do seu sabor ser apetecido
É treva densa a irromper do húmus

No vago torpor de cada momento
O princípio sempre já acontecido
A eterna saudade de não ter sido
Alucinação rubra e continuada

O pó da estrada de me perder
A noite revisitada da amurada
De ter partido um dia sem saber

Que a sorte não tem norte nem um porto
Chegar é quase ser tudo e estar morto
Lavrado de longes sou sem querer


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