perder(-te)



um segredo:
ter-te é perder-te
singrarmos
sangramento
sofrimento
largarmos a arder pelas veredas sonâmbulas de sermos nós
mesmo que no instante
gume cortante e repetido
porque partir é o salto na mão do sonho
no alto dos cumes
no centro da treva que há onde nos procuramos
sempre que queremos ser o que se mente
na saudade quando perdida de todas as ilusões que bradam ecos de termos sido
perder-te
no próprio acto de possuir o coração da noite
entre as sombras as cinzas e os medos
se o vento vem de dentro
trazer arrepios e vazios à roda solta de mais além
com as entranhas do mundo em convulsão
vergastadas de tédio e alvenaria de tempos idos
e o cheiro a incenso que o ar consente
tudo
até o reverso da solidão no lado intentado da pele
mesmo que aberta em flor e rastros de luz que passou de repente
até isso
é nunca te ter tido
no futuro de não seres tudo o que não te é para que sejas

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