quinta-feira, 3 de setembro de 2015

vejo-te



vejo-te
por momentos
entre duas partidas
já envolta de paisagens que virão
mais à frente daqui a um bocado
na sonolência de não poder chegar
quando as asas abertas do jornal se renderem de vez ao tédio
anjo que me percorres
à solta no meu sangue
vejo-te
e pergunto-me quantas estrelas
quantas
e que arados sulcam a terra de onde nasci
quantas sílabas despontaram
nas ranhuras escuríssimas do sol
anjo que me desaguas
no fim do desejo
vejo-te
perene e alucinação
e todos os passos todas as marcas todos os beijos
mesmo a luz e a treva toda a inquietude
o que são
despontam por entre o frio e o orvalho
a arder de saudade
ervas daninhas nos canteiros da manhã
e são tudo o que resta
os meus sonhos
tudo o que tenho

(2008)

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